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Poder de monopsônio e utilidade do trabalhador sob a escala 6x1

  • 20 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Publicação original

Título original: MONOPSONY POWER AND WORKER UTILITY IN THE 6X1 LABOR SCHEDULE

Autores: Daniel Thomaz Giacomelli Nunes Maciel; Barbara Yadira Mellado Pérez; Rosicley Nicolao de Siqueira; Fabrício César de Moraes; Fahim Elias Costa Rihbane.

Meio de publicação: Revista Aracê. v. 6 n. 4 (2024).

Qualis: A2 - Antropologia/Arqueologia


Resumo Divulga FE

Autor: Aloi Derso Carvalho da Silva Junior

Orientador: Prof. Wladimir Colman de Azevedo Junior

Contextualização:


Você já se perguntou qual é a vantagem da escala 6x1 para a economia? Como as empresas se beneficiam ao manter essa estrutura de trabalho? E como isso impacta a vida do trabalhador?

  O debate sobre a escala 6x1 e a vida além do trabalho (VAT) vem crescendo nas conversas do dia a dia (EXAME, 2023). Além da exaustão, o conhecido “burnout”, e das consequências na saúde que esse ritmo de trabalho traz (COSTA, 2025), o questionamento que fica em aberto é se esse estilo de jornada de trabalho é benéfico como um todo.

Diante disso, o professor Daniel Thomaz Maciel e sua equipe, buscaram analisar o poder de monopsônio das empresas juntamente com a utilidade do trabalhador na escala 6x1.

Mas o que é um monopsônio? Monopsônio é quando há somente um comprador para diversos vendedores ou produtores de um bem, ou serviço; neste caso, no mercado de trabalho, o monopsônio seria uma firma que “compra” o trabalho das pessoas que buscam emprego.

E o que é a utilidade do trabalhador? É o grau de felicidade ou satisfação gerado pela escolha de trabalhar ao invés de usufruir do tempo livre.

Este artigo faz uma análise teórica importante do impacto que uma jornada de trabalho intensa tem sobre as firmas e os empregados.

 

Sobre o Artigo


O estudo buscou analisar a eficiência organizacional e econômica de escalas de trabalho rígidas, como a escala 6x1, observando a relação entre salários, horas trabalhadas e o bem-estar do trabalhador e como isso afeta a relação entre as empresas e os trabalhadores.

Foi desenvolvido um modelo teórico para explicar essa dinâmica utilizando a função lucro da firma com poder de monopsônio; nesta função, a empresa tem poder de estabelecer os salários pagos por horas trabalhadas, como se elas fossem um único comprador em um mercado cheio de vendedores. E a função de oferta de mão de obra, a qual é quanto trabalho os trabalhadores estão dispostos a ofertar dependendo dos preços dos salários. As funções foram derivadas e igualadas para obter o ponto ótimo de equilíbrio; neste ponto, destaca-se que o poder de monopsônio das empresas permite que elas reduzam os salários a níveis mais baixos do que a produtividade marginal do trabalho, ou seja, as empresas pagam aos trabalhadores valores menores do que eles geram na produção e reduzem as horas produtivas trabalhadas. Eles recebem menos do que geram em valor.

 As empresas minimizam seus custos manipulando os preços dos salários abaixo do nível de mercado competitivo. A oferta de mão de obra é menor, mesmo com salários maiores, e a produtividade e as condições de mercado afetam a demanda por mão de obra. Essas estruturas rígidas como a escala 6x1 enfraquecem a prática sustentável do trabalho e limitam a capacidade dos trabalhadores de reagir às mudanças de salários. O autor sublinha a necessidade de políticas públicas de regulamentação do salário mínimo e flexibilização das jornadas de trabalho.

 

Considerações do Divulga FE


Presenciamos o cansaço generalizado e as consequências da falta de tempo na saúde física e mental dos trabalhadores (Jacob, V., & Ferreira, A. (2025). O artigo nos evidencia que as vantagens econômicas da escala 6x1 são menores do que as perdas em produtividade e eficiência. Seus resultados são úteis para reforçar a PEC do fim da escala 6x1 (PEC 8/2025) e a regulamentação de outra forma de jornada de trabalho, como a escala 4x3, que, de acordo com Wen Fan et al., possui níveis de produtividade muito maiores. Além disso, o reajuste do salário mínimo (AMADEU; SILVA, 2023) é igualmente importante. Tanto na experiência do dia a dia quanto na teoria, como demonstrado neste artigo, vemos que a escala 6x1 é prejudicial à saúde econômica e ao bem-estar da população. Acreditamos que a combinação dessas medidas tornará a economia mais dinâmica e diminuirá o desequilíbrio entre empregados e empresas.


Glossário


Derivadas: Um conceito fundamental do cálculo que mede a taxa de variação instantânea de uma função em relação a uma de suas variáveis. Em economia, é sinônimo de "marginal".

Eficiência Econômica: É a relação ótima entre insumos (recursos financeiros, custos) e resultados (lucro, receita, benefícios). O foco está na minimização de custos e na maximização da rentabilidade.

Eficiência Organizacional: Refere-se à capacidade de uma organização em utilizar seus recursos (como o trabalho) da melhor maneira possível para alcançar seus objetivos, minimizando desperdícios e custos.

Função Lucro: É uma função matemática que representa o lucro total de uma empresa, definida como a Receita Total menos o Custo Total.

Função oferta de mão de obra: É uma função que relaciona o salário oferecido no mercado com a quantidade de trabalho que os trabalhadores estão dispostos a oferecer.

Mercado competitivo: É uma estrutura de mercado com muitos compradores e muitos vendedores, de tal forma que nenhum agente individual tem poder para influenciar o preço de mercado. Todos são "tomadores de preço".

Modelo teórico: É uma representação conceitual que simplifica um fenômeno real para explicá-lo, organizando variáveis e estabelecendo relações entre elas. Ele funciona como uma estrutura para analisar e prever comportamentos ou resultados, sendo usado em diversas áreas como ciência, economia e saúde para guiar pesquisas, testar hipóteses e tomar decisões.

Monopsônio: É uma estrutura de mercado caracterizada por um único comprador para muitos vendedores. No contexto do mercado de trabalho, significa que há apenas um empregador (ou um número muito pequeno) para um determinado tipo de mão de obra em uma região ou setor.

Ponto de equilíbrio: No contexto da firma, é o ponto onde ela maximiza seu lucro ou minimiza sua perda. Não é necessariamente o ponto onde os lucros são zero.

Produtividade marginal do trabalho: É o produto adicional (output) gerado pela contratação de mais uma unidade de trabalho, mantendo constantes todos os outros insumos (como capital).

Utilidade do trabalhador: Representa o grau de satisfação ou bem-estar que um trabalhador obtém de sua situação, influenciada principalmente pelo salário, mas também por outras variáveis como o lazer, condições de trabalho, benefícios, etc.

 

 

 

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